Abono e ajuste de horas: como fazer?

TL;DR: Ajuste de horas é uma correção de marcação de ponto quando ele é esquecido ou registrado erroneamente, sem mexer na jornada real. Já o abono é quando a empresa dispensa aquelas horas e não desconta nada do funcionário. Dá para registrar os dois no papel ou numa planilha, mas o caminho mais seguro é lançar dentro de um sistema de ponto antes de fechar o espelho. Na TiqueTaque, abono e ajuste estão liberados até no plano gratuito.
Não é incomum encontrar casos recorrentes de esquecimentos de registro de ponto. Quem cuida do espelho de ponto convive com isso o mês inteiro. E a dúvida quase sempre é a mesma: como registrar esse tempo sem bagunçar o espelho e sem correr risco lá na frente.
Existe um jeito certo de fazer. Antes de mais nada, vale separar as duas nomenclaturas que podem se embolar.
Abono e ajuste não são a mesma coisa
Parece detalhe, mas esses detalhes não podem ser ignorados no dia a dia do DP.
O ajuste de ponto corrige um registro. O funcionário trabalhou, só faltou a marcação ou saiu errada. As ocasiões variam, mas a mais frequente é ele ter se esquecido de registrar o ponto. A jornada real continua a mesma, você só está ajustando.
No abono, a empresa decide não descontar aquelas horas. São horas cedidas, um “pode ficar” oficial. Acontece quando o gestor libera o time mais cedo numa sexta, por exemplo, ou perdoa um atraso pontual. O funcionário não cumpriu aquele tempo, mas também não perde nada por causa dele.
Resumindo numa frase: ajuste conserta o que aconteceu, abono perdoa o que faltou.
O que a lei permite e o que ela não deixa passar
Ajustar ponto é permitido no Brasil. Mas vale checar quais são suas limitações.
A CLT trata o controle de jornada como obrigação para empresas com mais de 20 funcionários e ainda prevê uma tolerância: são 5 minutos por marcação, com limite de 10 minutos no dia, sem virar hora extra nem desconto. A lei também aceita banco de horas e compensação, desde que pactuados da forma certa. O texto está disponível na CLT, no site do Planalto.
Ou seja, o registro precisa refletir a jornada de verdade. O ajuste pode corrigir um erro, mas não pode reescrever o horário que o funcionário realmente cumpriu.
Por isso, a Portaria 671 proíbe qualquer sistema que permita alterar os dados marcados pelo funcionário de um jeito que desvirtue o controle. Nada de “sumir” com hora extra, cortar saldo positivo ou inventar uma marcação que nunca existiu. Além do risco de multa em fiscalização, isso vira caso de Justiça bem rápido. Infelizmente, são comuns casos de funcionários demitidos por justa causa depois de adulterar o próprio cartão, e o TST validou essa justa causa por fraude no ponto. A régua, então, vale para os dois lados da relação.
Quem pede e quem aprova
Na prática, o pedido quase sempre nasce com o funcionário. Foi ele que esqueceu de bater, então ele solicita o ajuste, com uma justificativa e, quando a empresa exige, um comprovante junto.
Também é comum que o funcionário nem perceba que esqueceu de registrar o ponto. Nesses casos, é válido verificar com o gestor direto se o ponto realmente foi esquecido para fazer o ajuste corretamente.
Depois entra o gestor. Cabe a quem lidera aprovar ou recusar, seguindo a política de frequência da empresa. Essa comunicação aberta é saudável, mantém o registro honesto e deixa um rastro de quem pediu o quê e quando.
Como fazer isso sem um sistema de ponto
Dá para se virar no manual. Muita empresa pequena ainda faz assim.
O caminho é mais ou menos esse: o funcionário avisa o que aconteceu, você anota a correção no seu controle (uma planilha, um livro de ponto, um formulário) e guarda a justificativa. O ideal é que os dois assinem na data de corte, para ninguém questionar depois.
Só que esse jeito pode ter furos. A planilha se perde, alguém digita errado e, na hora de comprovar uma jornada lá atrás, são horas gastas buscando. Fora que uma planilha aberta é fácil de alterar, e essa é justamente a brecha que a fiscalização não gosta de encontrar.
Se a sua operação é bem enxuta e tem poucos ajustes por mês, pode ser que esse gasto de tempo passe despercebido. Mas, conforme o time cresce, os erros do controle de ponto manual passam a ser percebidos até demais.
Como fazer pela TiqueTaque (antes de fechar o espelho)
Aqui vai um lembrete que deve sempre estar em sua mente: registre o abono ou o ajuste antes da data de corte do espelho de ponto. Depois que o espelho fecha, mexer nele significa reabrir algo que já estava batido. Fazendo antes, tudo entra limpo e no mês certo.
Para o ajuste, o próprio funcionário resolve, desde que tenha a permissão de “Ajuste Manual” no cadastro. Pelo aplicativo TiqueTaque no celular, ele vai em Registros, toca no “+” e escolhe Ajuste Manual. Pela web, abre o dia que quer corrigir e clica em “+” e depois em Adicionar horário. Se a empresa quiser, dá para deixar a justificativa como obrigatória.
O que chega até você, gestor, aparece em Solicitações de Ajustes. Ali você vê o que está pendente, aprovado ou reprovado, e decide com um clique. Quando junta muita coisa, dá para aprovar ou reprovar em lote, sem abrir um por um. E, se preferir automatizar, a política de aprovação define se o ajuste cai direto no espelho ou passa antes pela sua análise.
Para o abono, o caminho é lançar um afastamento do tipo “Abono“. Como são horas cedidas, o sistema não desconta nada do funcionário. Funciona para o dia inteiro ou só para uma parte dele, quando a liberação foi de algumas horas.
Você sabia que abono e ajuste estão liberados no plano Free Forever da TiqueTaque? Não são recursos de plano pago, a única parte que fica de fora do gratuito são os relatórios, como o de afastamentos, que junta tudo por período para você analisar depois. Para o registro do dia a dia, ou para empresas com time enxuto, o gratuito já resolve.
Perguntas frequentes
Ajuste de ponto é permitido por lei?
Sim. O que a lei proíbe é usar o ajuste para alterar a jornada real ou apagar horas que a pessoa trabalhou. Corrigir um erro de marcação é normal e esperado.
Qual a diferença entre abono e ajuste?
Ajuste corrige um registro que ficou faltando ou saiu errado, sem mudar as horas trabalhadas. Abono é quando a empresa dispensa aquelas horas e não desconta nada do funcionário.
Quem pode fazer o ajuste?
Em geral, o funcionário solicita e o gestor aprova ou recusa. Na TiqueTaque, isso depende das permissões do cadastro e da política de aprovação que a empresa configura.
Preciso guardar comprovante?
Depende da política da sua empresa. Muita gente pede uma justificativa e, em alguns casos, um documento como o atestado. Guardar esse histórico protege os dois lados.
Posso ajustar depois que o espelho fechou?
Sim, mas tenha atenção. Você acaba reabrindo um espelho que já estava batido. O melhor é lançar abono e ajuste antes da data de corte.
Abono e ajuste funcionam no plano gratuito da TiqueTaque?
Sim. Os dois estão no plano Free Forever. Os relatórios ficam disponíveis nos planos pagos.
Erros para evitar
Alguns tropeços aparecem bastante; os mais comuns (que não deviam ser tão comuns assim) são:
- Cortar hora extra “para fechar a conta”;
- Inventar a marcação de um horário que ninguém cumpriu;
- Ajustes sem nenhuma justificativa (some o porquê da correção);
- Alterar espelho de ponto já fechado.
Nenhum desses caminhos compensa o risco. No fim, abono e ajuste existem para deixar o ponto mais fiel à realidade. Enquanto você usar os dois com essa intenção, está tranquilo.
Dica de amigo
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As informações deste artigo seguem o que prevê a CLT. Ainda assim, as regras podem mudar de empresa para empresa, conforme as convenções e os acordos coletivos de cada categoria. Diante de um caso específico, vale confirmar com a sua contabilidade ou com o setor jurídico.





